Uma atleta de Itapeva está no centro de uma grande repercussão nas redes sociais. O que começou como reconhecimento por sua participação em uma competição de fisiculturismo acabou se transformando em uma onda de comentários ofensivos, humilhantes e preconceituosos na internet.
O vídeo de uma entrevista concedida logo após uma competição realizada em Campinas viralizou e já ultrapassa milhões de visualizações. Porém, junto com a visibilidade, vieram também milhares de comentários questionando a aparência e até a feminilidade da atleta.
A reportagem do Itapeva Alerta foi até a academia onde ela treina e trabalha para ouvir sua história. A atleta Sthefani Campos, professora de academia e representante de Itapeva no fisiculturismo, falou pela primeira vez sobre a repercussão.
Segundo ela, a dimensão que o vídeo tomou foi uma surpresa.
“Eu levei um susto. Até então eu era só a Sthefani da academia, professora e atleta aqui de Itapeva. Eu não imaginava que uma entrevista ia repercutir tanto na minha vida”, contou.
No início, ela diz que ficou feliz ao ver sua imagem circulando nas redes. Mas o sentimento mudou quando começou a ler os comentários.
“Eu fiquei bem assustada. Foram muitos ataques, muitos mesmo. Tem quase oito mil comentários. Eu fiquei chateada e isso acabou mexendo um pouco com o meu psicológico. Teve dia que eu nem consegui dormir”, relatou.
A atleta afirma que boa parte das mensagens foi marcada por ofensas e comentários homofóbicos.
“As pessoas começaram a falar do meu rosto, do meu corpo, da minha opção sexual. Teve gente dizendo que eu parecia um homem. Mas eu sou uma mulher. O fato de eu ter o meu jeito ou a minha orientação não muda isso”, disse.
Sthefani também afirmou que pretende tomar providências diante das ofensas.“Homofobia é crime. Algumas pessoas que comentaram ali sabem disso. Eu estou analisando algumas medidas, porque não sou só eu que passo por isso. Muitas pessoas sofrem ataques e não têm coragem de se expor”, afirmou.
Durante a reportagem, a atleta também recebeu o apoio da amiga Evelin França, personal trainer e também atleta de fisiculturismo.
Para Evelyn, não existe diferença entre elas.“A única diferença é o cabelo. Eu escolhi cabelo comprido e a Sthefani escolheu cabelo curto. Só isso. Fora isso, somos duas mulheres atletas”, disse.
Ela também criticou os ataques feitos nas redes sociais.“Eu acho um absurdo. Só quem passa por uma preparação dessas sabe o quanto é difícil. É muita disciplina, acordar cedo, treinar, cuidar da alimentação. Ver uma pessoa sendo atacada dessa forma é muito triste”, afirmou, emocionada.
Segundo Evelin, a situação também revela o quanto o preconceito ainda existe.
“Se a pessoa não tem nada de bom para falar, então é melhor não falar nada. Atacar alguém dessa forma é cruel. Homofobia e preconceito são crimes e ninguém está fazendo mal para ninguém”, disse.
A repercussão acontece justamente em março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta por respeito, igualdade e valorização feminina.
Para Sthefani, o episódio também abre espaço para uma reflexão sobre o direito das mulheres de serem quem são.
“Tem muitas meninas como eu, que não seguem um padrão e acabam sofrendo preconceito. Não é porque eu não visto uma roupa considerada feminina que eu deixo de ser mulher. A mulher tem que ser o que ela quiser, da maneira que ela quiser. Ninguém tem o direito de impor como uma mulher deve ser”, declarou.
Entre críticas e julgamentos, uma coisa é clara: por trás da polêmica nas redes sociais existe uma atleta que construiu sua trajetória com disciplina, esforço e anos de dedicação ao esporte.
Em meio à repercussão, a história da atleta de Itapeva também levanta uma pergunta importante: até quando mulheres ainda serão atacadas simplesmente por não se encaixarem em padrões impostos pela sociedade?
No mês em que o mundo fala sobre respeito e valorização feminina, a trajetória de Sthefani mostra que ser mulher também é ter coragem para seguir o próprio caminho, mesmo diante das críticas.







