Uma condenação pesada, histórica e carregada de simbolismo. Assim terminou, nesta quarta-feira (25/03), o julgamento do bombeiro militar acusado de protagonizar um triplo homicídio brutal que abalou a região de Apiaí e marcou para sempre a memória de moradores de todo o interior paulista.
O Tribunal do Júri fixou a pena em mais de 85 anos de prisão, além do pagamento de R$ 1 milhão de indenização à família das vítimas. Uma resposta dura da Justiça diante de um crime que, desde o início, foi marcado por frieza, violência extrema e comoção generalizada.
A tragédia começou na noite de 16 de maio de 2024. Dentro da própria casa, a professora Josilene Paula da Rosa, de 39 anos, foi assassinada ao lado dos dois filhos: Gabriel, de 20 anos, e Arthur, de apenas 12. Segundo as investigações, o autor dos disparos foi o ex-companheiro da vítima, que não aceitava o fim do relacionamento.
De acordo com o Ministério Público, ele foi até o quartel onde trabalhava, furtou uma pistola calibre .40 da corporação e seguiu até a residência de Josilene. Pouco depois das 21h50, a casa virou cenário de horror. Foram vários disparos. Nenhuma chance de defesa. Três vidas interrompidas de forma cruel e irreversível.
Após o crime, o suspeito fugiu. Durante a tentativa de escapar, bateu o carro em uma rodovia próximo a Guapiara e desapareceu, dando início a uma verdadeira caçada policial na região. Por dias, o clima foi de tensão e medo.
Cinco dias depois, em um desfecho que também chamou atenção, ele decidiu se entregar. Foi aqui, na Delegacia de Itapeva, que o acusado se apresentou, acompanhado de advogados, alegando inocência, uma versão que sustentou ao longo de todo o processo.
O caso seguiu cercado de reviravoltas. Em novembro de 2025, o julgamento chegou a ser iniciado, mas foi interrompido de forma inesperada após a defesa abandonar o plenário, alegando parcialidade dos jurados. O episódio gerou ainda mais repercussão e revolta.
Com o júri remarcado, tudo começou novamente em 2026. Testemunhas, provas e detalhes voltaram à tona, reacendendo a dor e a indignação diante da brutalidade do crime.
O réu foi condenado por feminicídio, dois homicídios qualificados e furto qualificado, este último relacionado à arma levada da corporação e ao celular da vítima após o crime. Antes mesmo do júri popular, ele já havia sido condenado pela Justiça Militar pela subtração da arma.
Um crime que chocou, revoltou e agora entra para a história como um dos mais marcantes e cruéis já registrados na região.






